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TYP. DE CASTRO & IRMÃO,

S O NETOS

A NOSSA SENHORA

Se a febre atraiçoada em fim declina,
E se se esconde a aberta sepultura,
Ao vosso rogo o devo, ó Virgem pura,
Por quem me quiz livrar a mão divina:

Sem Vós debalde a experta medicina Traça, e apparelha a desejada cura; Sem Vós o indio adusto em vão procura A amarga casca da saudavel quina.

Quando em lucta co'a morte me contemplo, Sem haver já no mundo quem me valha, Do vosso grão poder, que grande exemplo!

Vencestes; e em memoria da batalha Penduro nas paredes d’este templo, Rasgando, um novo Lazaro, a mortalha.

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* A SUA ALTEZA

Nesta cançada triste poesia
Vedes, senhor, um novo pretendente,
Que aborrece o que estima toda a gente,
Que é ter no mundo cargos e valia.

Sobre alto throno ha annos que regia
De docil povo turba obediente:
Mas quer antes sentar-se humildemente
N'um banco da real secretaria;

Qual modesto capucho reverendo, Que em fim de guardiania triennal Passa a porteiro as chaves recebendo.

Em mim conheço vocação igual: • E co'a mesma humildade hoje pretendo Passar de mestre a ser oficial. > -->

A SUA ALTEZA

De bolorentos livros rodeado
Móro, senhor, n’esta fatal cadeira;
De quinze invernos a voraz carreira
Me tem no mesmo posto sempre achado:

Longo tempo em pedir tenho gastado, E gastarei talvez a vida inteira; O ponto está em que, quem póde, queira, Que tudo o mais é trabalhar errado.

Principe augusto, seja vossa a gloria: Fazei que este infeliz ache ventura: . Ajuntae mais um facto á vossa historia.

Mas, se inda aqui me segue a desventura, Cedo ao meu fado, e vou co'a palmatoria Cavar n’um canto da aula a sepultura.

A SUA ALTEZA

Por espalhar crueis melancolias
Fui seguindo do Tejo a clara veia; -
Cheguei ao sitio, em que sonoro ondeia
Nas frescas praias da real Caxias:

Não vi n'aquelle, como nos mais dias, De seges e de tropa a margem cheia; Não ouvi resoar na vasta areia Do rouco patrão-mór as gritarias:

As Tagides gentis não levantavam Ao lume d'agua as cristallinas tranças; Seus hospedes reaes não esperavam:

Dormia o vento sobre as endas mansas; Só na deserta praia revoavam, Alto senhor, as minhas esperanças.

A SUA ALTEZA

Qual naufrago, senhor, que foi alçado
Por mão piedosa d’entre as ondas frias,
Tal eu de antigas duras agonias
Por vossas reaes mãos fui resgatado.

Pois vencestes as teimas do meu fado, E já vejo raiar dourados dias, Deixae que possa em minhas poesias O vosso augusto nome ser cantado.

Não é digna de vós minha escriptura, Nem harmonia, nem estilo a adoça; Mas valha-lhe, senhor, vontade pura.

Principe excelso, consenti que eu possa Fazer inda maior minha ventura, Contando ao mundo que foi obra vossa.

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